quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A exploração da baía

Os pilotos terão manifestado a convicção de que aquela baía era fechada. Deviam avançar!

Magalhães insistiu em explorar a enseada.

A San Antonio e a Concepción receberam a missão de avançar tanto quanto possível na exploração do interior da baía, mas de regressar no prazo máximo de 5 dias.

A Trinidad e a Victoria ficaram a explorar a parte exterior da baía. 

Uma tempestade - furacão? - fustigou a baía. As duas naus que aguardavam nada sabiam do que poderia ter acontecido às duas que partiram para a exploração do interior da enseada.

Ao fim do prazo dado (ou já depois?) as duas naus estavam de regresso. E quando toda a frota ficou à vista, a San Antonio e a Concepción dispararam salvas de canhões e içaram todos os pavilhões e todas as auriflamas: era a "linguagem da vitória".

Estas duas naus tinham conseguido escapar à tempestade e entre as reentrâncias descobriram um canal. Nova enseada, novo canal, nova enseada...


«Assim foram navegando durante três dias, sem encontrarem o fim daquela espantosa via marítima. Não conseguiram achar a saída definitiva, mas era impossível que aquela estranha passagem fosse um rio, pois a água mantinha-se invariavelmente salgada, a maré alta e a maré baixa deixavam as suas marcas regulares e uniformes na areia da praia. (...)»

 Stefan Zweig, Magalhães - o homem e o seu feito

Estaria encontrada a passagem...


quarta-feira, 21 de outubro de 2020

A descoberta do Estreito de Magalhães na Escola Paulo da Gama

A Escola Básica 2,3 Paulo da Gama celebrou a data comemorativa dos 500 anos do início do descobrimento da ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico.


A 21 de Outubro de 1520, dobrado o Cabo das Virgens, ainda Fernão de Magalhães não sabia que estava à porta da tão desejada passagem para o "Mar do Sul". Mas estava próximo, tão próximo, desse momento tão desejado... 

Com a leitura de um texto sobre a viagem de Magalhães por todas as turmas da escola (a que associámos a apresentação de mapas e imagens), articulámos o projeto 10 Minutos de Leitura (Ler Mais - do Plano Nacional de Leitura) com as comemorações magalhânicas.

Associámo-nos, assim, às outras escolas portuguesas da Rede de Escolas Magalhânicas e a escolas de outros países, como o Chile, a Argentina ou a Espanha, que também assinalam os 500 anos da descoberta do Estreito de Magalhães.




A descoberta do Estreito

No dia 21 de outubro de 1520, foi avistado um cabo formado por uma vasta ponta de areia. Foi-lhe dado o nome de Cabo das Virgens ou das Onze Mil Virgens, assinalando o feriado de Santa Úrsula e a lenda das Onze Mil Virgens que a teriam acompanhado. Atualmente, chama-se Punta Dungenesse. 

«(...) e ali vimos uma abertura como baía, e tem à entrada, à mão direita, uma ponta de areia muito comprida; o cabo que descobrimos antes desta ponta chama-se o "cabo das Virgens"; a ponta de areia está em 52 graus de latitude, e de longitude está 52 graus e meio; da ponta de areia à outra parte serão cerca de 5 léguas; dentro desta baía achámos um estreito que terá uma légua de largura

Francisco Albo*, Diário ou roteiro da viagem de Magalhães


«Toda a tripulação acreditava tão firmemente que o estreito não tinha saída para o oeste que não era prudente mesmo ir procurá-la sem ter os grandes conhecimentos do capitão-general. Este, tão hábil como valente, sabia que era preciso passar por um estreito muito oculto (...)»

Antonio Pigafetta, A Primeira Viagem em Redor do Mundo



* Francisco Albo, contratado como contramestre da nau Trinidad, ocupou o lugar de piloto da nau Victoria. Nessa condição, foi um dos 18 tripulantes que regressou a Sevilha, completando a volta ao mundo.


O Cabo das Virgens

Punta Dungeness, o Cabo das Virgens

«Finalmente, ao terceiro dia [depois de saírem do rio Santa Cruz], 21 de Outubro de 1520, vislumbra-se um promontório de recifes brancos frente a uma praia de estranho recorte e ali, por trás da saliência que Magalhães batizou de "Cabo de las Virgines", em honra dos santos do calendário, abre-se uma enseada profunda de águas negras. Os navios aproximam-se. Paisagem estranha, imponente e severa aquela! Encostas caindo a pique, irregulares e abissais, e muito ao longe - um espetáculo que há muito não se via - altos cumes cobertos de neve branca. Mas que morta parece ser esta vastidão! Nem um ser humano, raramente uma árvore, um arbusto; só o sibilar e o bramir incessantes do vento percorrem o silêncio parado desta enseada fantasmagoricamente deserta. Os tripulantes olham lugubremente para aquelas águas sinistras. Parece-lhes um absurdo que aquela baía cercada de montanhas, com as suas águas negras como as do Hades, possa ir dar a uma praia plana ou mesmo ao "Mar del Sur", luminoso e ensolarado.»

 Stefan Zweig, Magalhães - o homem e o seu feito



terça-feira, 20 de outubro de 2020

Sessão comemorativa "Fernão de Magalhães - 500 Anos da Descoberta do Estreito"

 



500 Anos da Descoberta do Estreito

A partir de hoje e até ao próximo dia 24, decorre um conjunto de iniciativas promovidas pela Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação para assinalar a data da descoberta do Estreito de Magalhães.

Hoje, entre as 15:00h e as 17:30h, irá decorrer, via internet, a partir do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva, uma ação multimédia que inclui:

  • A apresentação da Banda Desenhada “A Viagem mais Longa”; 
  • A apresentação do Jogo Didático Digital “Circum-Navegação Magalhães/Elcano”; 
  • A apresentação do projeto Miniveleiros (pequenas embarcações a largar no Estreito de Magalhães);
  • Momentos de ateliês científicos relacionados com a literacia do mar.

domingo, 18 de outubro de 2020

Partida do rio Santa Cruz

Os dois meses passados em Santa Cruz foram dedicados ao reabastecimento de água, lenha e peixe.

A 18 de outubro, Magalhães deu ordem para que a viagem prosseguisse. Antes da partida, foi celebrada missa. 

Os navios navegaram ao longo da costa inóspita, na direção sudoeste, contando ainda com o mar alterado e a oposição violenta do vento. 



domingo, 11 de outubro de 2020

O eclipse do Sol

Na cronologia dos factos marcantes da viagem, o Almirante Teixeira da Mota indica que Andrés de San Martín, o cosmógrafo da armada, observou um eclipse do Sol no rio de Santa Cruz.

Um eclipse a partir do qual calculou o valor da longitude (61º), muito próximo dos 63º que seriam o seu valor efetivo. A medição da longitude era um desafio!

No diário ficcionado de Fernão de Magalhães, José Manuel Núñez de la Fuente descreve o momento, embora refira "eclipse da Lua".

«Sendo entre a terça e a sexta de quinta-feira, aos onze dias de outubro do ano presente, pudemos ver um sinal muito prodigioso no céu, ocultou-se a cor do Sol que mudou em avermelhado e escureceu todo o horizonte, ficando todo aquele termo em que estávamos muito em penumbra, do que adveio pena profunda e soçobro forte no ânimo dos homens que viram tal como sinal de infortúnio. Depois disto conversei com o astrólogo San Martín, que disse ser um eclipse da Lua nesta parte do polo antártico, tendo as afirmações do astrólogo como certas e de razão, por conta de os já ter visto antes.»

José Manuel Núñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Nova escala - Santa Cruz

Dois dias depois da partida de Puerto de San Julián, Fernão de Magalhães confrontou-se com a dura realidade de condições atmosféricas adversas à progressão da viagem.

«Toda a esquadra esteve aí prestes a naufragar, por causa dos ventos furiosos que sopravam e embraveciam o mar, mas Deus e os Corpos Santos socorreram-nos e salvaram-nos.»
Antonio Pigafetta, A Primeira Viagem em Redor do Mundo

Cerca de 130 km mais a sul, junto ao rio Santa Cruz, vai ser feita mais uma escala para invernar. Este rio também foi chamado rio dos Sáveis, dada a abundância de um tipo de peixe que foi identificado com este nome. 

Era um local que já tinha sido descoberto na incursão da nau Santiago, no início do mês de maio, e em cujas imediações esta nau veio a naufragar.


Nas imediações do porto de Santa Cruz localiza-se uma importante colónia de pinguins - a Pinguinera - com mais de 20 mil espécimes que aqui chegam em setembro para o ciclo reprodutivo e partem em abril. Estes pinguins tomaram o nome de Magalhães.


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

A partida de Puerto de San Julián

Depois de uma longa escala de quase cinco meses na baía de San Julián, para invernar, Fernão de Magalhães, pensando existirem condições atmosféricas, ordenou o reinício da viagem.

No cimo de um monte (agora conhecido como Monte Woody) foi colocada uma cruz, a 7 km da atual cidade de Puerto de San Julián.*



Depois de carregarem lenha, água, carne e peixe em salgadeira, foi rezada missa e os homens fizeram-se ao mar, no dia 24 de agosto de 1520, dia de S. Bartolomeu - dia em que, segundo a tradição popular, faz sempre muito vento pelo facto do diabo andar à solta.

Para trás ficava a "baía da desgraça", como lhe chamou Stefan Zweig: o motim e o julgamento dos seus responsáveis, com a execução de Gaspar Quesada e, na hora da partida, o abandono à sua sorte, naquelas terras do fim do mundo, dos outros principais amotinados - Juan de Cartagena e o padre Pedro Sanchez de la Reina. Também uma nau se perdeu durante o período em que ali invernaram. 

Uma réplica da nau Victória no
Museo Tematico Nao Victoria (Puerto de San Julián) 

*Fernando de Oliveira situa a construção da cruz por ocasião da realização da primeira missa neste local - ver Racionamento e missa.