sexta-feira, 27 de março de 2020

Dia Mundial do Teatro

Hoje é Dia Mundial do Teatro.

Na EB 2,3 Paulo da Gama, temos um Clube de Artes e Talentos que inclui, no seu interior, um grupo de teatro e um grupo de teatro de fantoches.
Integrando a escola a Rede de Escolas Magalhânicas, o plano de trabalho para este ano contempla (contemplava?) a apresentação de uma peça sobre a viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães.
Essa peça está (estava?) a ser concebida de forma a articular o trabalho dos dois grupos.
A atual situação que se vive, motivada pela epidemia do coronavírus, põe a causa a concretização do nosso projeto.




Hoje, comemorando-se o Dia Mundial do Teatro, não queremos deixar de assinalar o trabalho - agora interrompido - dos nossos alunos.



E desejamos voltar ao trabalho!

quarta-feira, 25 de março de 2020

A não ida ao teatro

Se estivéssemos num momento normal das nossas vidas, os alunos do Clube de Artes e Talentos - grupo de teatro e grupo do teatro de fantoches - teriam ido assistir à peça  A Grande Viagem de Magalhães, no Museu Nacional de Arqueologia (Mosteiro dos Jerónimos).


Foi o segundo adiamento. Em fevereiro, um problema de saúde do ator que desempenha o papel de Fernão de Magalhães impediu que pudéssemos usufruir do espetáculo. Agora foi o coronavírus.
Será que ainda conseguimos assistir à peça este ano letivo?
Vontade não nos falta!


terça-feira, 24 de março de 2020

A Magalhães não ameaçava o vírus

Há 500 anos, Fernão de Magalhães perseverava, por locais inóspitos, na procura da passagem para o "mar do Sul".
As condições atmosféricas e o estado do mar iam piorando e tornavam a navegação perigosa.
Não havia ameaça de vírus, mas havia um ambiente cada vez mais contrário ao comando de Magalhães, por parte dos capitães espanhóis.

A ameaça do corona está a afetar as comemorações dos 500 anos da viagem.
Face à atual situação de pandemia da Covid-19, o Navio-Escola Sagres recebeu ordens para regressar a Lisboa.
Esta decisão foi tomada na sequência das medidas de segurança que os diferentes países estão a adotar, limitando a atracação e desembarque de tripulações e passageiros de navios, inviabilizando o pleno cumprimento da missão.
Por haver restrições de desembarque em muitos portos e cidades, e por ser desaconselhável a realização de visitas ao navio, o Ministério da Defesa entendeu que não estavam reunidas as condições para prosseguir esta missão de celebrar o feito histórico da primeira viagem de circum-navegação, iniciada há 500 anos, por Fernão de Magalhães.
Oportunamente, será equacionada a possibilidade de se retomar a viagem de circum-navegação, talvez noutros moldes e com uma rota distinta.
O regresso a Lisboa do Sagres está previsto para meados de maio.
Não nos iremos encontrar no Oceano Pacífico.

Agir preventivamente para garantir a saúde e a segurança da guarnição.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Pode ser que nos encontremos no Pacífico

O Navio-Escola Sagres divergiu de nós!

Magalhães continua à procura da passagem do Atlântico para o Pacífico.
O Sagres saiu de Buenos Aires e virou a sua rota para Este, estando a navegar em direção ao Índico com passagem pelo Cabo da Boa Esperança.



Fernão de Magalhães navegou mais do que uma vez pela Rota do Cabo, quando ao serviço de D. Manuel I.
Ao serviço do rei de Espanha, fazê-lo significaria desrespeitar o Tratado de Tordesilhas, pois estaria numa área do hemisfério português. Por isso, Magalhães procura a passagem que pensa existir.

O Sagres vai a caminho do Oriente navegando para oriente, nós continuaremos à procura da passagem a ocidente.
Que bons ventos o acompanhem!
Pode ser que nos encontremos no Pacífico.


Símbolos do Navio-Escola Sagres

Já aqui contámos a história do Navio-escola Sagres.
Hoje, vamos escrever sobre os símbolos deste NRP (Navio da República Portuguesa), a começar pelo seu nome.
É o primeiro texto da Tripulação Magalhânica da Escola Paulo da Gama, o conjunto de alunos que irá contribuir com o seu trabalho para este blogue.


O nome - Sagres
O Cabo de Sagres era conhecido pelos romanos como Promontorium Sacrum. Está localizado no extremo sudoeste de Portugal.
O infante D. Henrique solicitou autorização para mandar construir aí uma vila, pelo maior número de viagens de exploração.Era um ponto intermédio das viagens entre o Mediterrâneo e o Norte da Europa. Seria obrigatoriamente ponto de encontro entre marinheiros, importante na troca de conhecimentos e experiências das viagens marítimas, o que era bom para os planos do infante D. Henrique.
O nome de Sagres ficou ligado à expansão marítima e foi escolhido para nome do navio-escola da Marinha Portuguesa, em homenagem aos marinheiros da nossa história.

A fortaleza de Sagres e placa com o nome do navio
A figura da proa - o Infante D. Henrique
A figura que se encontra na proa do NRP Sagres é o Infante D. Henrique.
O Infante D. Henrique foi o terceiro filho do rei D. João I. Nasceu a 4 de março de 1394.
A figura dele encontra-se na proa do navio,  pois ele foi o responsável pela organização das viagens marítimas dos descobrimentos até à sua morte (1460).



A Cruz de Cristo
É o ex-libris (emblema) do NRP Sagres.
A Cruz da Ordem de Cristo, também conhecida como Cruz de Portugal, é o emblema histórico da Ordem Militar de Cristo, criada no dia 14 de março de 1319.
A Cruz de Cristo era usada nas velas das naus no tempo dos descobrimentos. Deve ter sido utilizada pela primeira vez nas velas dos navios da armada de Pedro Álvares Cabral, embora a sua origem seja bem mais remota. 
Ainda hoje é usada pela Marinha Portuguesa, pela Força Aérea, na bandeira da Região Autónoma da Madeira e em alguns outros lugares.


O brasão
Outro símbolo do NRP Sagres é o seu brasão, com a Cruz de Cristo ao centro.


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Nota:
NRP significa Navio da República Portuguesa.

Trabalho da autoria da Tripulação Magalhânica:
João Victor Castro
Rúben Guerreiro
Samuel Souza
(Turma 5.º E)

terça-feira, 3 de março de 2020

Não medir a altura por não encontrar o Sol - os instrumentos de navegação

 

«Os homens andavam tão espantados por aqueles mares negros e perigosos e tão temerosos das soledades das costas, ao não haver gente nem animais nelas, que nem sequer Deus os consolava nas preces. Navegámos por muitos dias e muitas noites com a costa à vista, pelo rumo sudoeste quarta do oeste, guinando muitos bordos pelos ventos contrários. Com isto perdemos o avanço de muitas léguas, porque tivemos de singrar para oeste e este e até para norte em demanda de salvar as naus, que os ventos nos portavam em contracorrente e nunca antes naveguei desse modo nem soube que alguém o fizesse em qualquer parte. Em todos estes dias tão sombrios não pudemos medir a altura por não encontrar o Sol nem agarrar o quadrante, tão movidos éramos pelo mar.»
José Manuel Núñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães

Se Fernão de Magalhães tivesse os instrumentos de navegação do Navio-Escola Sagres, teria descoberto a passagem bem mais cedo e a História teria sido diferente!



Se quem fez a relação do custo que teve a armada contou bem (porque nós contámos por aí), nos navios de Fernão de Magalhães levaram-se 24 cartas de marear (e pergaminho para fazer mais), 6 quadrantes de madeira, 1 astrolábio de pau, 6 astrolábios de metal com as suas pautas, 35 agulhas de marear, 15 quadrantes de madeira abronzados, compassos dourados, 12 relógios de areia (ampulhetas) mais 6 relógios (iguais aos anteriores?) e um planisfério.

Instrumentos náuticos - alunos do 5.º B no Pavilhão do Conhecimento
Alunos do 5.º ano com "astrolábios caseiros" que construíram
na Visita de Estudo ao Centro de Ciência Viva de Constância (passado dia 21 de fevereiro)

Por onde andava Magalhães? Por golfos e baías

Há 500 anos, por onde andava Fernão de Magalhães?

«Eram muitos os golfos e baías que pareciam anunciar a passagem naquelas paragens e decerto que não não devia estar posta por Deus a muitas léguas. Digo isto porque, se está posta em África de tal guisa, quando a terra se quebra para deixar passar o mar, o mesmo haverá de ser nesta parte do mundo.»
José Manuel Núñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães

Depois da baía do rio da Prata, a viagem, feita por mares desconhecidos, tornou-se lenta e fez-se sempre junto à costa. Não havia mapa que pudesse servir. 
Todas as reentrâncias eram exploradas.


Em 24 de fevereiro, a frota aproximou-se golfo a que foi dado o nome de S. Matias. O navio mais pequeno explorou uma possível passagem para o "Mar do Sul", mas, mais uma vez, essa passagem não foi encontrada.
O mesmo em mais duas baías: a dos Patos e a dos Trabalhos (tão difícil se revelou explorá-la, com o mau tempo que fazia).

Os "patos mansos" que deram o nome à baía - descritos como "gansos silvestres" por Antonio Pigafetta, o italiano que exerceu as funções de cronista, eram... pinguins, o pinguins-de-Magalhães, como são designados (Spheniscus magellanicus).


Destes "patos" se abasteceram as naus, tal como de leões-marinhos.
E a viagem continuou, com mau tempo, céu sombrio, dias mais curtos, mais frio...

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Sagres em Buenos Aires

Atravessar o rio e, na margem oposta, encontrar Buenos Aires.


Da capital do Uruguai à capital da Argentina é um salto. 

A saída do Sagres será no próximo dia 3, mas a direção que vai tomar não é a que Fernão de Magalhães seguiu... 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Sagres em Montevideu, com Camões

À falta de uma estátua de Magalhães, elementos da tripulação tiraram uma fotografia junto à estátua de Luís de Camões, na Plaza Portugal.


Luís de Camões, que questionou a lealdade de Magalhães. À época, essa era a leitura natural.

Mas cá onde mais se alarga, ali tereis
parte também, co pau vermelho nota;
De Santa Cruz o nome lhe poreis;
Descobrila-á a primeira vossa frota.
Ao longo desta costa, que tereis,
Irá buscando a parte mais remota
O Magalhães, no feito, com verdade,
Português, porém não na lealdade

Desque passar a via mais que meia
Que ao Antárctico Pólo vai da Linha,
Dhua estatura quase giganteia
Homens verá, da terra ali vizinha;
E mais avante o Estreito que se arreia
Co nome dele agora, o qual caminha
pera outro mar e terra que fica onde
Com suas frias asas o Austro a esconde.
Luis de Camões, Os Lusíadas, canto X


O Sagres deverá ter saído ontem de Montevideu.
Mas a sua tripulação não saiu, de certeza, tão desiludida quanto a de Fernão de Magalhães - e o mais desiludido seria o próprio comandante - por terem constatado que a tão esperada passagem não era ali.
O mal-estar a bordo das naus estava instalado.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A arte de marinhar

Através da sua conta do facebook, a Marinha Portuguesa - Volta ao Mundo do Navio-Escola Sagres explica:
«São vários os fatores que influenciam a navegação de um navio no mar. As correntes, a direção, altura e período da ondulação e vaga, a direção e força do vento são os exemplos básicos.
As previsões meteorológicas têm um grande impacto na nossa navegação. Ajustamos-mos à meteorologia: a mastreação, o velame, o rumo, a velocidade, as atividades diárias...»


A aproximação a Montevideu (Uruguai) foi a fase mais difícil da viagem, até agora.
«Durante o dia de ontem e a noite de hoje (dia 21) o navio passou por uma baixa pressão, que trouxe consigo ventos forte e ondulação com alturas entre os 5 e os 6 metros.»


Fernão de Magalhães passou por esta zona do oceano numa época do calendário muita próxima e também experimentou dificuldades - foi fugindo de uma tempestade que Magalhães entrou no golfo do rio da Prata.

Obra de um escritor uruguaio, investigador
de temas históricos
Nas comemorações espanholas dos 500 anos da viagem de circum-navegação, o navio-escola da armada espanhola, Juan Sebastián Elcano, também se encontra a realizar uma viagem, a qual partiu de Cádiz no passado dia 3 de novembro e passou por Montevideu no princípio do ano.
Mas esta viagem é mais curta, devendo terminar já em abril, depois de navegar apenas no Oceano Atlântico.

O Elcano em Montevideu