O Agrupamento de Escolas Paulo da Gama integra a Rede de Escolas Magalhânicas. Neste blogue, pretendemos partilhar os trabalhos relacionados com o projeto Magalhães que estão a ser desenvolvidos na EB 2,3 Paulo da Gama (Amora). Partilhamos, também, informação sobre o próprio navegador e sobre esse notável acontecimento histórico que foi a viagem de circum-navegação, da qual resultaria a revelação da dimensão do mundo e de que se comemoram os seus 500 anos.
terça-feira, 20 de outubro de 2020
500 Anos da Descoberta do Estreito
A partir de hoje e até ao próximo dia 24, decorre um conjunto de iniciativas promovidas pela Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação para assinalar a data da descoberta do Estreito de Magalhães.
- A apresentação da Banda Desenhada “A Viagem mais Longa”;
- A apresentação do Jogo Didático Digital “Circum-Navegação Magalhães/Elcano”;
- A apresentação do projeto Miniveleiros (pequenas embarcações a largar no Estreito de Magalhães);
- Momentos de ateliês científicos relacionados com a literacia do mar.
domingo, 18 de outubro de 2020
Partida do rio Santa Cruz
Os dois meses passados em Santa Cruz foram dedicados ao reabastecimento de água, lenha e peixe.
A 18 de outubro, Magalhães deu ordem para que a viagem prosseguisse. Antes da partida, foi celebrada missa.
Os navios navegaram ao longo da costa inóspita, na direção sudoeste, contando ainda com o mar alterado e a oposição violenta do vento.

domingo, 11 de outubro de 2020
O eclipse do Sol
Na cronologia dos factos marcantes da viagem, o Almirante Teixeira da Mota indica que Andrés de San Martín, o cosmógrafo da armada, observou um eclipse do Sol no rio de Santa Cruz.
Um eclipse a partir do qual calculou o valor da longitude (61º), muito próximo dos 63º que seriam o seu valor efetivo. A medição da longitude era um desafio!
No diário ficcionado de Fernão de Magalhães, José Manuel Núñez de la Fuente descreve o momento, embora refira "eclipse da Lua".
«Sendo entre a terça e a sexta de quinta-feira, aos onze dias de outubro do ano presente, pudemos ver um sinal muito prodigioso no céu, ocultou-se a cor do Sol que mudou em avermelhado e escureceu todo o horizonte, ficando todo aquele termo em que estávamos muito em penumbra, do que adveio pena profunda e soçobro forte no ânimo dos homens que viram tal como sinal de infortúnio. Depois disto conversei com o astrólogo San Martín, que disse ser um eclipse da Lua nesta parte do polo antártico, tendo as afirmações do astrólogo como certas e de razão, por conta de os já ter visto antes.»
José Manuel Núñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães

quarta-feira, 26 de agosto de 2020
Nova escala - Santa Cruz
Dois dias depois da partida de Puerto de San Julián, Fernão de Magalhães confrontou-se com a dura realidade de condições atmosféricas adversas à progressão da viagem.
Cerca de 130 km mais a sul, junto ao rio Santa Cruz, vai ser feita mais uma escala para invernar. Este rio também foi chamado rio dos Sáveis, dada a abundância de um tipo de peixe que foi identificado com este nome.
Era um local que já tinha sido descoberto na incursão da nau Santiago, no início do mês de maio, e em cujas imediações esta nau veio a naufragar.


Nas imediações do porto de Santa Cruz localiza-se uma importante colónia de pinguins - a Pinguinera - com mais de 20 mil espécimes que aqui chegam em setembro para o ciclo reprodutivo e partem em abril. Estes pinguins tomaram o nome de Magalhães.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020
A partida de Puerto de San Julián
No cimo de um monte (agora conhecido como Monte Woody) foi colocada uma cruz, a 7 km da atual cidade de Puerto de San Julián.*

Depois de carregarem lenha, água, carne e peixe em salgadeira, foi rezada missa e os homens fizeram-se ao mar, no dia 24 de agosto de 1520, dia de S. Bartolomeu - dia em que, segundo a tradição popular, faz sempre muito vento pelo facto do diabo andar à solta.
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| Uma réplica da nau Victória no Museo Tematico Nao Victoria (Puerto de San Julián) |
*Fernando de Oliveira situa a construção da cruz por ocasião da realização da primeira missa neste local - ver Racionamento e missa.
sexta-feira, 12 de junho de 2020
A captura de patagões
Os primeiros navegadores a atingirem partes da terra antes incógnitas tinham sempre a incumbência de trazer consigo alguns exemplares de plantas, minérios, animais e... outros humanos, representantes de grupos étnicos desconhecidos dos europeus.
Trazer patagões era um enorme desafio!...
Para os marinheiros, como escreveu Stefan Zweig, capturar vivo um tal "gigante" não é menos arriscado do que agarrar uma baleia pela barbatana.
Mas todos os meios serviam:
Foram oferecendo a dois patagões os pequenos presentes de que eles tanto gostavam, enchendo-lhes as mãos. Mostraram-lhes um par de grilhões que tilintavam da forma que muito lhes agradava. Os patagões deixaram, ingenuamente, que as correntes lhes fossem postas nos tornozelos.
Cerrados os fechos, os patagões estavam em condições de serem postos no navio, por muito que se procurassem defender.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Os patagões, grandes comedores
«Estes povos, como já disse, vestem-se com a pele de um animal, com a qual cobrem também as suas cabanas, que transportam para aqui ou para ali, para onde mais lhes convém, não tendo residência fixa, acampando, como os boémios, ora num local, ora noutro. Alimentam-se ordinariamente de carne crua e de uma raiz doce a que chamam capac. Comem muito: os dois que apanhámos comiam, cada um, um cabaz cheio de biscoitos por dia e bebiam de um trago meio balde de água. Devoravam os ratos crus, mesmo sem os esfolar.»
António Pigafetta, A Primeira Viagem em Redor do Mundo
sábado, 6 de junho de 2020
Os patagões (2)
O seu companheiro, que não tinha querido subir a bordo, vendo-o regressar a terra, correu a avisar e a chamar os outros, que, notando que a nossa gente armada se aproximava deles, se colocaram em fila, sem armas e quase nus, dando início imediatamente às suas danças e cantos, durante os quais levantavam ao céu o dedo indicador (...) Os nossos convidaram-nos, através de sinais, a que viessem até às nossas naus, indicando-lhes que os ajudariam a transportar aquilo que quisessem levar consigo. E com efeito vieram, mas os homens, que só conservavam consigo o arco e as flechas, obrigavam as mulheres a levar tudo, como se fossem umas bestas de carga.
As mulheres não são tão altas como os homens, mas em compensação são mais corpulentas. Os seus peitos descaídos têm mais de um pé de comprimento. Pintam-se e vestem-se da mesma maneira que os seus maridos, mas usam uma pele fina que lhes cobre as partes baixas. E ainda que aos nossos olhos estivessem longíssimo de ser belas, os seus maridos pareciam muito ciumentos.»
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| Patagões no Atlas de Diogo Homem |
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Os patagões
Eram caçadores nómadas, de aspeto primitivo, que causaram espanto pela sua elevada estatura.
«Um dia, quando menos esperávamos, apresentou-se-nos um homem de estatura gigantesca. Estava na praia quase nu, a cantar e a dançar ao mesmo tempo e a atirar areia para cima da cabeça. (...) Ao ver-nos, manifestou muita admiração e levantou um dedo para o alto, querendo sem dúvida significar com isso que pensava que tínhamos descido do céu.
Este homem era tão alto que as nossas cabeças mal lhe chegavam à cintura. Era bem constituído, com o rosto largo e pintado de vermelho, os olhos rodeados de amarelo, e com duas manchas em forma de coração nas bochechas. Os seus cabelos, que eram poucos, pareciam ter sido branqueados com um qualquer pó. A sua roupa, ou melhor, a sua capa, era de peles cosidas entre si, de um animal que abunda naquela zona (...). Este homem tinha também uma espécie de calçado feito da mesma pele.»
Os pés enrolados em peles pareciam muito grandes e as pegadas que deixavam eram enormes.




