A 3 de fevereiro de 1520, Fernão de Magalhães rumou a sul, deixando para trás o rio da Prata e iniciando uma nova etapa da sua viagem.
A armada avançou para uma parte do mundo ainda não explorada pelos europeus.
Rumo ao sul, rumo ao desconhecido...
O Agrupamento de Escolas Paulo da Gama integra a Rede de Escolas Magalhânicas. Neste blogue, pretendemos partilhar os trabalhos relacionados com o projeto Magalhães que estão a ser desenvolvidos na EB 2,3 Paulo da Gama (Amora). Partilhamos, também, informação sobre o próprio navegador e sobre esse notável acontecimento histórico que foi a viagem de circum-navegação, da qual resultaria a revelação da dimensão do mundo e de que se comemoram os seus 500 anos.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
domingo, 2 de fevereiro de 2020
A exploração do rio da Prata
O historiador José Manuel Garcia, que será o maior especialista português da viagem de Fernão de Magalhães, diz que o estuário do rio da Prata «foi mandado explorar, tendo-se confirmado rapidamente que se tratava de um curso de água doce e não da tão procurada passagem para o "mar do Sul", como então se chamava o oceano que seria denominado de Pacífico, depois da viagem de Fernão de Magalhães.»
Mas as naus ali andaram, desde 10 de janeiro a 2 ou 3 de fevereiro.
Magalhães terá pensado, inicialmente, que se tratava do estreito tão procurado.
«Todos a bordo também estavam unanimemente convencidos de terem encontrado finalmente a tão ansiada passagem naquela ampla via marítima pois (...), ali a amplidão das águas expandia-se até ao infinito; aquele golfo só podia ser o início de um outro estreito de Gibraltar, de um outro canal da Mancha, de um outro Helesponto, unindo oceano com oceano. (...)
Quinze dias inteiros se passam, ou antes, se desperdiçam, numa busca vã pelo estuário do rio da Prata. Mal a tempestade, que os tinha acometido logo à chegada, amaina um pouco, Magalhães divide a frota. As naus mais pequenas são enviadas para ocidente pelo suposto canal (seguindo, na realidade, rio acima). Ao mesmo tempo, e sob o seu comando pessoal, as duas naus maiores atravessam o rio da Prata em direção ao sul, "por ver si habia pasage" e até onde os levaria ela. (...) Mas que amarga deceção!»
Mas as naus ali andaram, desde 10 de janeiro a 2 ou 3 de fevereiro.
Magalhães terá pensado, inicialmente, que se tratava do estreito tão procurado.
«Todos a bordo também estavam unanimemente convencidos de terem encontrado finalmente a tão ansiada passagem naquela ampla via marítima pois (...), ali a amplidão das águas expandia-se até ao infinito; aquele golfo só podia ser o início de um outro estreito de Gibraltar, de um outro canal da Mancha, de um outro Helesponto, unindo oceano com oceano. (...)
Quinze dias inteiros se passam, ou antes, se desperdiçam, numa busca vã pelo estuário do rio da Prata. Mal a tempestade, que os tinha acometido logo à chegada, amaina um pouco, Magalhães divide a frota. As naus mais pequenas são enviadas para ocidente pelo suposto canal (seguindo, na realidade, rio acima). Ao mesmo tempo, e sob o seu comando pessoal, as duas naus maiores atravessam o rio da Prata em direção ao sul, "por ver si habia pasage" e até onde os levaria ela. (...) Mas que amarga deceção!»
Stefan Zweig, Magalhães - o homem e o seu feito
O estreito, a existir, ficaria mais a sul.
sábado, 1 de fevereiro de 2020
No tempo de Magalhães não havia plásticos
Os plásticos estavam longe, portanto, de serem um problema.
Mas agora...
O navio-escola Sagres, durante a sua viagem de circum-navegação, encontra-se a colaborar em diversos projetos de investigação científica.
Um deles, em parceria com o Instituto Hidrográfico (IH), é relativo à presença de micro plásticos nos oceanos.
«Diariamente, são bombeados cerca de mil litros de água salgada, os quais são primeiramente filtrados num peneiro com 0.05mm de malha e posteriormente passados por um filtro de 0,001mm, onde ficam armazenados. As amostras obtidas durante a missão vão ser conservadas, a bordo, para posteriormente serem analisadas pela divisão de química do IH.»
Mas agora...
O navio-escola Sagres, durante a sua viagem de circum-navegação, encontra-se a colaborar em diversos projetos de investigação científica.
Um deles, em parceria com o Instituto Hidrográfico (IH), é relativo à presença de micro plásticos nos oceanos.
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| Fotografia de Marinha Portuguesa |
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Prémio Especial de Caricatura 2019 - Fernão de Magalhães
Desde 2013 que o Museu Nacional da Imprensa, entidade promotora do PortoCartoon-World Festival, promove o Prémio Especial de Caricatura.
Em 2019, este Prémio Especial contemplou a figura de Fernão de Magalhães.
Os trabalhos a concurso, cerca de 100, da autoria de artistas de muitos países, estiveram em exposição no espaço de um antigo convento de Vila Nova de Gaia, ainda em 2019, e estão agora na Galeria da Presidência do Conselho de Ministros.
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| O cartaz com a caricatura vencedora e Pedro Ribeiro Ferreira, o autor da caricatura |
Cerca de 20 caricaturas de Fernão de Magalhães vão acompanhar a viagem de circum-navegação do Navio-Escola Sagres e poderão ser apreciadas por quem visitar o Sagres nas diferentes paragens.
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| Aurélio Mesquita, E esta, hem!!!... (3.º lugar ex-aequo) |
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| Vítor Neves, Estreitos e incertezas (3.º prémio ex-aequo) |
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| Reza Ghorbanian (Irão) - (2.º prémio) |
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| Pedro Ribeiro Ferreira, Dentada (1.º prémio) |
Navio-Escola Sagres está em Cabo Verde (Cidade da Praia)
Depois de ter passado por Santa Cruz de Tenerife, o Sagres chegou ontem à Praia.
Tal como aconteceu com a expedição de Fernão de Magalhães, Tenerife foi o primeiro local de paragem do Navio-Escola Sagres, onde esteve atracada de 10 a 13 de janeiro e pôde ser visitada no porto de Santa Cruz de Tenerife.
Durante os dois dias em que esteve aberta ao público, o Sagres recebeu mais de 2000 visitantes.
Na sua viagem, Fernão de Magalhães "passou pela esquerda das ilhas de Cabo Verde", não fazendo qualquer escala aí por se tratar de um arquipélago da área portuguesa e a expedição ser realizada ao serviço do rei de Espanha.
Continuação de boa viagem.
Bons mares e bons ventos!
domingo, 12 de janeiro de 2020
E acharam-se metidos em um rio de água doce
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| Estuário do rio da Prata visto de oeste para este (o norte fica à esquerda e o sul à direita) É enorme a quantidade de sedimentos arrastados para o estuário. |
Fernando Oliveira (escrito entre 1560 e 1570, com base num livro - uma história da "viagem de Fernão de Magalhães escrita por um homem [Gonzalo Gomez de Espinosa] que foi na companhia")
A entrada dos navios no estuário terá sido motivada pela procura de um refúgio face aos ventos fortes que os fustigavam. Mas, mesmo que o temporal não o forçasse, seria natural que Fernão de Magalhães explorasse o rio da Prata, cuja embocadura forma um golfo de grandes dimensões.
A designação de rio da Prata será dada após a viagem de Magalhães e, na verdade, já por ali tinham navegado embarcações portuguesas e - com fatal insucesso - o espanhol Juan de Solís, quando andava em demanda da "mesma" passagem para o oceano Pacífico (1516). Inicialmente, o rio foi designado, pelos castelhanos, como rio Solís, em homenagem a esse navegador.
Os uruguaios comemoraram, em 2016, os 500 anos da chegada
dos espanhóis ao rio de Prata. Na praia houve uma reconstituição.
dos espanhóis ao rio de Prata. Na praia houve uma reconstituição.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
Cabo de Santa Maria
«E daqui [Rio de Janeiro - Brasil] foram navegando até chegarem ao cabo de Santa Maria, que João de Lisboa descobrira no ano de 1514 (...)»
(Gaspar Correia, Lendas da Índia)
Pormenor de um mapa do litoral da América do Sul, de Luis Teixeira (1574?),
incluindo o cabo de Santa Maria e a foz do Rio da Prata
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| Posta ilustrado com a fotografia do farol do cabo de Santa Maria. (o farol é de 1874 e no tempo de Fernão de Magalhães também ainda não havia postais ilustrados) |
Esse golfo descomunal não é senão a embocadura do rio da Prata, mas Magalhães ainda não o sabe.»
Stefan Zweig, Magalhães - o homem e o seu feito
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| Foz do Rio da Prata |
A cidade de Montevideu, localizada no estuário do rio da Prata, é a capital do Uruguai. Ainda junto ao mesmo rio localiza-se a cidade de Buenos Aires, capital da Argentina.
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| Fotografia de satélite |
domingo, 5 de janeiro de 2020
O Navio-Escola Sagres partiu para a viagem de circum-navegação
O Navio-Escola Sagres partiu esta manhã, de Lisboa, para a sua viagem mais longa: uma viagem de volta ao mundo, enquadrada no programa das comemorações do V Centenário da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães.*
A viagem tem a duração prevista de 371 dias. O navio irá passar por 22 portos de 19 países, visitando 12 cidades da Rede Mundial de Cidades Magalhânicas.
Um ponto alto da viagem será o "desvio" da rota magalhânica, de forma a que a Sagres possa estar em Tóquio, onde será a “Casa de Portugal” durante os Jogos Olímpicos.
Por esse motivo, a bordo vai a bandeira da delegação portuguesa às Olimpíadas de 2020, a qual será entregue em Tóquio, no início dos Jogos, à delegação olímpica portuguesa.
Boa viagem a todos os 142 militares que vão reviver a viagem de Magalhães!
*O NE Sagres já fez 3 viagens de circum-navegação (1978-79, 1983-84 e 2010), mas esta vai ser a mais demorada.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
A partida do Brasil - em direção ao Sul
«Estivemos neste abrigo [baía de Santa Lúcia] até à véspera da natividade do Nosso Senhor Jesus Cristo, altura em que, com a armada já pronta para zarpar e a gente muito satisfeita disso, encomendei ao piloto João Carvalho da Concepción o guiamento e o governo das naves até à boca da baía e depois a saída da mesma, vogando o caminho da costa por diante.
E foi aos vinte e sete dias do mês de dezembro, na festividade de São João, que içámos as velas para sulcar o mar pelo rumo oeste-sudoeste, para escapar da moleza e dos grandes calores desta terra, o que sucede por ser verão ali quando é o nosso inverno e ao invés também.»
A partir da baía de Santa Lúcia ou Luzia, a 26 (ainda) ou a 27 de dezembro de 1519, "foram costeando a costa do Brasil assim como vai pera o sul até o cabo de Santa Maria, que está em trinta e cinco graus daquela banda do sul, sem tomar terra;" (Fernando Oliveira)
E foi aos vinte e sete dias do mês de dezembro, na festividade de São João, que içámos as velas para sulcar o mar pelo rumo oeste-sudoeste, para escapar da moleza e dos grandes calores desta terra, o que sucede por ser verão ali quando é o nosso inverno e ao invés também.»
José Manuel Núñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães
A partir da baía de Santa Lúcia ou Luzia, a 26 (ainda) ou a 27 de dezembro de 1519, "foram costeando a costa do Brasil assim como vai pera o sul até o cabo de Santa Maria, que está em trinta e cinco graus daquela banda do sul, sem tomar terra;" (Fernando Oliveira)
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| Carta da costa do Brasil (século XVI) |
sexta-feira, 13 de dezembro de 2019
A armada na Baía de Santa Luzia
Após uma viagem de 11 semanas ininterruptas, a armada entrou na Baía de Santa Luzia, assim denominada na altura, porque no dia 13 de dezembro se celebra o dia dessa santa.
A costa do Brasil já havia sido avistada mais cedo. A a armada aproximou-se do cabo de Santo Agostinho, no nordeste brasileiro, a 29 de novembro - "houveram vista do cabo de Santo Agostinho" -, mas essa era a região mais frequentada pelos navios portugueses e Fernão de Magalhães foi adiando a escala.
No primeiro artigo do contrato de Fernão de Magalhães com o Rei de Espanha, era estabelecido que a armada não poderia aportar em terras portuguesas, pois o Tratado de Tordesilhas proibia essa ação.
No primeiro artigo do contrato de Fernão de Magalhães com o Rei de Espanha, era estabelecido que a armada não poderia aportar em terras portuguesas, pois o Tratado de Tordesilhas proibia essa ação.
A necessidade imperiosa de se abastecerem fez com que procurassem um ponto mais a Sul da costa brasileira, em que houvesse menos hipóteses de ameaça de intervenção portuguesa. «(...) e foi entrar em um rio que se chama Janeiro. Ia por piloto-mor um português chamado João Lopes Carvalhinho [João Carvalho], o qual neste rio já estivera (...)» (Gaspar Correia, Lendas da Índia)
Rumámos para sul em demanda de lançar quanto antes as âncoras, de modo a aliviar o ânimo e melhor fazer provisão de água e vitualhas frescas. (…)
E achámos naquela costa muitas ilhas e rios que desciam dos montes com água abundante e muito limpa. Sendo uma terça-feira, aos treze dias de dezembro do ano presente [1519], mandei virar tudo de poente e entrámos numa grande baía aos 23 graus da parte sul que chamámos de Santa Luzia, por termos chegado no dia desta festividade.
(…)
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| Representação cartográfica do território brasileiro, de Lopo Homem (1519) |
«Andávamos sempre à vista da costa, apartados três léguas desta terra que se encontra na demarcação do sereníssimo rei de Portugal, que chamam terra do Brasil por crescer nela uma árvore tintureira desse mesmo nome.
Rumámos para sul em demanda de lançar quanto antes as âncoras, de modo a aliviar o ânimo e melhor fazer provisão de água e vitualhas frescas. (…)
E achámos naquela costa muitas ilhas e rios que desciam dos montes com água abundante e muito limpa. Sendo uma terça-feira, aos treze dias de dezembro do ano presente [1519], mandei virar tudo de poente e entrámos numa grande baía aos 23 graus da parte sul que chamámos de Santa Luzia, por termos chegado no dia desta festividade.
(…)
Com os cinco barcos em bom abrigo, fizemos aprovisionamento naquela paragem de quanto requer uma armada para a sua vitualha, pelo que tomámos água abundantíssima e fresca, peixes e carnes de muita variedade, e ainda frutas e verduras com que carregámos as naus quanto pudemos, sendo os naturais uma gente de condição muito pacífica (…)»
José Manuel Nuñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães
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| Vista aérea da entrada da baía de Santa Lúcia (hoje designada baía de Guanabara) |
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| Em redor da baía estende-se, na atualidade, a cidade do Rio de Janeiro. |
O facto de Magalhães proibir a compra de escravos na costa brasileira e a prática de qualquer ato de violência, fez com que os nativos fossem ganhando confiança e se aproximassem, observando com curiosidade as cerimónias religiosas da tripulação.
Como a chegada da armada coincidiu com a queda ansiada de chuva, os índios imitaram os gestos dos estrangeiros que lhes tinham trazido as chuvas, quando da celebração de uma missa, ajoelhando-se de mãos postas perante a cruz erguida - sinal entendido como o da conversão destas almas.
Atualizado a 12 de janeiro de 2020
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