segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Navio-Escola Sagres está em Cabo Verde (Cidade da Praia)



Depois de ter passado por Santa Cruz de Tenerife, o Sagres chegou ontem à Praia.

Tal como aconteceu com a expedição de Fernão de Magalhães, Tenerife foi o primeiro local de paragem do Navio-Escola Sagres, onde esteve atracada de 10 a 13 de janeiro e pôde ser visitada no porto de Santa Cruz de Tenerife.


Durante os dois dias em que esteve aberta ao público, o Sagres recebeu mais de 2000 visitantes. 


Depois, seguiu rumo a Cabo Verde, dobrando o Cabo Bojador, em direção à Cidade da Praia (ilha de Santiago), onde atracou ontem.


Na sua viagem, Fernão de Magalhães "passou pela esquerda das ilhas de Cabo Verde", não fazendo qualquer escala aí por se tratar de um arquipélago da área portuguesa e a expedição ser realizada ao serviço do rei de Espanha.

Continuação de boa viagem.
Bons mares e bons ventos!

domingo, 12 de janeiro de 2020

E acharam-se metidos em um rio de água doce

Estuário do rio da Prata visto de oeste para este
(o norte fica à esquerda e o sul à direita)
É enorme a quantidade de sedimentos arrastados para o estuário.
«(...) foram costeando (...) até o cabo de Santa Maria, que está em trinta e cinco graus daquela banda do sul (...) e daí até o rio da Prata, que ainda não era conhecido, e por ele na boca ser mui largo e não se ver terra de uma parte à outra, não sabiam determinar se era rio, mas suspeitavam que o devia ser, porquanto a água era doce e o fundo somente de três ou quatro braças. Por se certificar mandou o capitão surgir as naus, e surtas mandou certos homens em um esquife que fossem ver a terra; e acharam ser rio, polo qual mandou entrar as naus até perto de terra, onde vieram alguns gentios da parte do norte donde ele estava mais chegado, e trouxeram alguma prata, pelo que puseram nome ao rio, o rio da Prata.»
Fernando Oliveira (escrito entre 1560 e 1570, com base num livro - uma história da "viagem de Fernão de Magalhães escrita por um homem [Gonzalo Gomez de Espinosa] que foi na companhia")

A entrada dos navios no estuário terá sido motivada pela procura de um refúgio face aos ventos fortes que os fustigavam. Mas, mesmo que o temporal não o forçasse, seria natural que Fernão de Magalhães explorasse o rio da Prata, cuja embocadura forma um golfo de grandes dimensões.

A designação de rio da Prata será dada após a viagem de Magalhães e, na verdade, já por ali tinham navegado embarcações portuguesas e - com fatal insucesso - o espanhol Juan de Solís, quando andava em demanda da "mesma" passagem para o oceano Pacífico (1516). Inicialmente, o rio foi designado, pelos castelhanos, como rio Solís, em homenagem a esse navegador.

Os uruguaios comemoraram, em 2016, os 500 anos da chegada
dos espanhóis ao rio de Prata. Na praia houve uma reconstituição.
Monumento a Juan Diaz de Solís

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Cabo de Santa Maria


 

«E daqui [Rio de Janeiro - Brasil] foram navegando até chegarem ao cabo de Santa Maria, que João de Lisboa descobrira no ano de 1514 (...)»
(Gaspar Correia, Lendas da Índia)


Pormenor de um mapa do litoral da América do Sul, de Luis Teixeira (1574?),
incluindo o cabo de Santa Maria e a foz do Rio da Prata

Posta ilustrado com a fotografia do farol do cabo de Santa Maria.
(o farol é de 1874 e no tempo de Fernão de Magalhães
também ainda não havia postais ilustrados)
«Caso os relatos dos pilotos portugueses e as indicações de latitude contidas no mapa de Martinho da Boémia estejam certos, o estreito deverá aparecer logo a seguir ao cabo de Santa Maria, por isso Magalhães começa por tomar esse rumo sem se deter. Finalmente, a 10 de janeiro, avistam uma pequena colina que se ergue sobre uma planície imensa e a que dão o nome de Montevidi (hoje Montevideu). Uma tempestade terrível leva-os a procurar abrigo num enorme golfo que parece estender-se sem fim para ocidente.
Esse golfo descomunal não é senão a embocadura do rio da Prata, mas Magalhães ainda não o sabe.»
Stefan Zweig, Magalhães - o homem e o seu feito

Foz do Rio da Prata
O rio da Prata constitui, atualmente, parte da fronteira entre o Uruguai e a Argentina.
A cidade de Montevideu, localizada no estuário do rio da Prata, é a capital do Uruguai. Ainda junto ao mesmo rio localiza-se a cidade de Buenos Aires, capital da Argentina.

Fotografia de satélite

domingo, 5 de janeiro de 2020

O Navio-Escola Sagres partiu para a viagem de circum-navegação

O Navio-Escola Sagres partiu esta manhã, de Lisboa, para a sua viagem mais longa: uma viagem de volta ao mundo, enquadrada no programa das comemorações do V Centenário da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães.*
A viagem tem a duração prevista de 371 dias. O navio irá passar por 22 portos de 19 países, visitando 12 cidades da Rede Mundial de Cidades Magalhânicas.

Um ponto alto da viagem será o "desvio" da rota magalhânica, de forma a que a Sagres possa estar em Tóquio, onde será a “Casa de Portugal” durante os Jogos Olímpicos. 
Por esse motivo, a bordo vai a bandeira da delegação portuguesa às Olimpíadas de 2020, a qual será entregue em Tóquio, no início dos Jogos, à delegação olímpica portuguesa.

Boa viagem a todos os 142 militares que vão reviver a viagem de Magalhães!



*O NE Sagres já fez 3 viagens de circum-navegação (1978-79, 1983-84 e 2010), mas esta vai ser a mais demorada. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

A partida do Brasil - em direção ao Sul

«Estivemos neste abrigo [baía de Santa Lúcia] até à véspera da natividade do Nosso Senhor Jesus Cristo, altura em que, com a armada já pronta para zarpar e a gente muito satisfeita disso, encomendei ao piloto João Carvalho da Concepción o guiamento e o governo das naves até à boca da baía e depois a saída da mesma, vogando o caminho da costa por diante.


E foi aos vinte e sete dias do mês de dezembro, na festividade de São João, que içámos as velas para sulcar o mar pelo rumo oeste-sudoeste, para escapar da moleza e dos grandes calores desta terra, o que sucede por ser verão ali quando é o nosso inverno e ao invés também.»
José Manuel Núñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães

A partir da baía de Santa Lúcia ou Luzia, a 26 (ainda) ou a 27 de dezembro de 1519, "foram costeando a costa do Brasil assim como vai pera o sul até o cabo de Santa Maria, que está em trinta e cinco graus daquela banda do sul, sem tomar terra;" (Fernando Oliveira)

Carta da costa do Brasil (século XVI)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

A armada na Baía de Santa Luzia

Após uma viagem de 11 semanas ininterruptas, a armada entrou na Baía de Santa Luzia, assim denominada na altura, porque no dia 13 de dezembro se celebra o dia dessa santa.

A costa do Brasil já havia sido avistada mais cedo. A a armada aproximou-se do cabo de Santo Agostinho, no nordeste brasileiro, a 29 de novembro - "houveram vista do cabo de Santo Agostinho" -, mas essa era a região mais frequentada pelos navios portugueses e Fernão de Magalhães foi adiando a escala.
No primeiro artigo do contrato de Fernão de Magalhães com o Rei de Espanha, era estabelecido que a armada não poderia aportar em terras portuguesas, pois o Tratado de Tordesilhas proibia essa ação.

A necessidade imperiosa de se abastecerem fez com que procurassem um ponto mais a Sul da costa brasileira, em que houvesse menos hipóteses de ameaça de intervenção portuguesa. «(...) e foi entrar em um rio que se chama Janeiro. Ia por piloto-mor um português chamado João Lopes Carvalhinho [João Carvalho], o qual neste rio já estivera (...)» (Gaspar Correia, Lendas da Índia
Representação cartográfica do território brasileiro,
de Lopo Homem (1519)
«Andávamos sempre à vista da costa, apartados três léguas desta terra que se encontra na demarcação do sereníssimo rei de Portugal, que chamam terra do Brasil por crescer nela uma árvore tintureira desse mesmo nome.

Rumámos para sul em demanda de lançar quanto antes as âncoras, de modo a aliviar o ânimo e melhor fazer provisão de água e vitualhas frescas. (…)

E achámos naquela costa muitas ilhas e rios que desciam dos montes com água abundante e muito limpa. Sendo uma terça-feira, aos treze dias de dezembro do ano presente [1519], mandei virar tudo de poente e entrámos numa grande baía aos 23 graus da parte sul que chamámos de Santa Luzia, por termos chegado no dia desta festividade.

(…)
Com os cinco barcos em bom abrigo, fizemos aprovisionamento naquela paragem de quanto requer uma armada para a sua vitualha, pelo que tomámos água abundantíssima e fresca, peixes e carnes de muita variedade, e ainda frutas e verduras com que carregámos as naus quanto pudemos, sendo os naturais uma gente de condição muito pacífica (…)»
José Manuel Nuñez de la Fuente, Diário de Fernão de Magalhães

Vista aérea da entrada da baía de Santa Lúcia
(hoje designada baía de Guanabara)
Em redor da baía estende-se, na atualidade, a cidade do Rio de Janeiro.



O facto de Magalhães proibir a compra de escravos na costa brasileira e a prática de qualquer ato de violência, fez com que os nativos fossem ganhando confiança e se aproximassem, observando com curiosidade as cerimónias religiosas da tripulação.
Como a chegada da armada coincidiu com a queda ansiada de chuva, os índios imitaram os gestos dos estrangeiros que lhes tinham trazido as chuvas, quando da celebração de uma missa, ajoelhando-se de mãos postas perante a cruz erguida - sinal entendido como o da conversão destas almas.
Atualizado a 12 de janeiro de 2020

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Calmarias, tempestades e o fogo de Santelmo

A opção de Fernão de Magalhães por seguir uma rota mais próxima da costa africana levantou alguns problemas de navegação, antes e durante a travessia do equador.

«Aí enfrentámos ventos contrários ou calmarias acompanhadas de chuvas, até à linha equatorial, tendo este tempo chuvoso durado 60 dias, apesar do que diziam os antigos.
Até aos 14 graus de latitude setentrional enfrentámos várias ventanias violentas que, somadas às correntes, não nos permitiram avançar. Quando vinha alguma destas ventanias, tomávamos a precaução de amainar as velas, colocando a nau de costado até cessar o vento.
(...)
Durante as horas de borrasca vimos muitas vezes o Corpo Santo, ou seja, San Telmo. Numa noite muito escura, apareceu-nos como uma bela tocha na ponta do mastro principal, onde ficou ao longo de duas horas, o que nos serviu de grande consolo no meio daquela tempestade. No momento em que desapareceu, lançou um clarão tão grande que ficámos deslumbrados, por assim dizer. Pensávamos que estávamos perdidos, mas o vento parou nesse preciso momento.»
Antonio Pigafetta, A Primeira Viagem em Redor do Mundo


Explica-nos a Infopedia que...
«O Fogo de Santelmo é um fenómeno meteorológico que ocorre geralmente em ocasiões de forte trovoada e que se caracteriza por pequenas descargas elétricas (projeções e irradiações luminosas de cor azul-violeta) nas pontas metálicas dos mastros dos navios, em torres metálicas ou nas partes salientes dos aviões, devido à concentração do campo elétrico atmosférico nas ditas zonas. É muitas vezes acompanhado de um zumbido ou estampido.
A designação de Fogo deve-se ao facto de o mastro parecer arder. Como se trata de um fenómeno que surge com mais frequência no fim das tempestades, foi-lhe atribuído o nome do Santo protetor dos navegadores Santo Elmo –, pois os marinheiros associavam o aparecimento desta "chama" à melhoria das condições meteorológicas.»

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Uma aventura em alto-mar

Fernão de Magalhães e Paulo da Gama
O nome da nossa escola homenageia o navegador que acompanhou o seu irmão, Vasco da Gama, na viagem de descobrimento do caminho marítimo para a Índia.
Não se sabe muito sobre Paulo da Gama. Tendo nascido, provavelmente, em 1465, é possível que tenha conhecido Fernão de Magalhães, na corte de D. Manuel I.
Integrando a escola Paulo da Gama o projeto das Escolas Magalhânicas, ao celebrarmos hoje o 46.º aniversário da escola, celebramos as duas viagens marítimas que deram a conhecer o Mundo, marcando o começo da aventura da globalização.
No dia de hoje, durante um tempo letivo, no mínimo, todas as turmas realizaram uma atividade alusiva a essas viagens marítimas que enfrentaram a geografia de um mundo desconhecido.

Foi Uma aventura em alto-mar!













Fernão de Magalhães na sua cabine de capitão-general da expedição
É percetível a mazela que Fernão de Magalhães tinha numa perna



Os alunos - quais Magalhães - à volta do Mundo!...

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Em frente, atrás de mim

«No meio de tantas dificuldades, a tarefa mais difícil para Magalhães consiste em manter permanentemente agrupados cinco navios à vela com tonelagens completamente diferentes, sendo que cada um deles tem a sua velocidade própria: se algum se perder no oceano imenso e sem caminhos, estará também perdido para a frota.»
Stefan Zweig, Magalhães - o homem e o seu feito


Os contramestres, os pilotos e os capitães dos navios receberam a informação do rumo geral a seguir, mas no mar alto a ordem era seguir o navio-almirante que ia na frente.
Navegar à vista de dia era mais fácil.
De noite, foi utilizado um sistema de comunicação através de sinais luminosos: era acendido um facho de madeira num farol colocado na popa do navio-almirante, que devia ser seguido.
Estava ainda previsto um outro conjunto de sinais de luzes (ou, mesmo, de tiros de canhão) para possíveis casos de avisos ou de acidentes.

Os capitães espanhóis seguiam, apenas, o navio-almirante, sem serem "ouvidos nem achados".
Possivelmente por desconfiar do facto de os portugueses estarem atentos à sua armada, Fernão de Magalhães resolveu alterar o rumo previsto - não rumou logo a Sudoeste, em direção ao Brasil, continuou para Sul.
A armada passou entre o arquipélago de Cabo Verde e o continente africano, até chegar perto de Serra Leoa. Só depois rumou para sudoeste.
Magalhães foi questionado por Juan de Cartagena, quanto ao rumo, mas aquele não achou que ivesse necessidade de se explicar.


A desconfiança dos capitães espanhóis em relação a Magalhães aumentava.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Rumo ao Brasil

Na noite de 2 para 3 de outubro de 1519, a armada de Fernão de Magalhães rumou para sul, passando por entre as ilhas de Cabo Verde e o continente africano, até que chegou junto da Serra Leoa. Foi aí que se iniciou uma viragem para sudoeste rumo ao Brasil.